sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Artigo publicado no Portal Alshop e no jornal O Exclusivo:

Gestão de Estoque no Varejo, nada é mais estratégico
Carlos Eduardo Caparelli

Administrar uma rede varejista pressupõe o acompanhamento periódico dos diversos KPIs inerentes ao negócio. Market share, retenção de clientes, evolução das vendas, turn over, clima organizacional, lucratividade, perda de inventário, alavancagem operacional, prazo médio de pagamento e recebimento, fluxo de caixa, ROA, dentre outros, são exemplos de indicadores sobre os quais a equipe gerencial deve estar sempre atenta.

Um dos indicadores mais importantes, todavia, diz respeito à gestão dos estoques. Não tenho a intenção de aprofundar a discussão acerca da qualidade das mercadorias postas à disposição dos clientes, apenas julgo relevante mencionar que a qualidade do estoque está diretamente relacionada com o posicionamento da marca. O mix de produto deve ser condizente com o target definido pelo branding.

No que tange ao estoque quantitativo, minha experiência mostra que as empresas ainda precisam aperfeiçoar as ferramentas de gestão destinadas a este fim. Assortment planning, range planning, sistema de alocação, open to buy por família e GM ROI são alguns exemplos de ferramentas que podem (e devem) ser usadas para determinar o nível adequado de estoque por produto e por loja, a fim de evitar (ou minimizar) o índice de ruptura nos pontos de venda. No outro extremo, a eficácia na gestão dos estoques gera reflexos diretos no caixa das empresas.

Tomemos como exemplo, uma rede varejista cujo mark up equivale a duas vezes o preço de compra das mercadorias (com o ICMS incluído) e que a cobertura dos estoques determinado pela gestão seja de 60 dias. Diante deste cenário, uma redução hipotética de sete dias na cobertura dos estoques acarretaria uma geração de caixa correspondente a 1% do faturamento bruto anual. Com dez dias a menos na cobertura, a geração de caixa equivaleria a 1,4% das vendas anuais! Convenhamos, nada mal!

Cumpre destacar, ressaltar e reverenciar a excelência na gestão dos estoques de grandes ícones do varejo internacional, com presença destacada no cenário brasileiro. De origem anglo-saxônica e Espanhola, cada qual com as suas peculiaridades, C&A e Zara se notabilizaram pela eficácia das práticas de gestão orientadas ao correto abastecimento dos seus pontos de venda.

A conjugação de profissionais de alto nível, com visão sistêmica; a contínua formação de novos talentos; o investimento constante em tecnologia e, por fim, a aplicação prática de pressupostos científicos, em especial os relacionados à estatística e econometria, certamente oferecerão às empresas a excelência no gerenciamento dos estoques.

O mito que ainda precisa ser derrubado é que tais práticas sejam acessíveis apenas aos grandes players do varejo. Há disponível no mercado, bons sistemas integrados de gestão, desenvolvidos especificamente para atender as peculiaridades do varejo; além de excelentes profissionais que atuam como consultores de gestão, os quais podem, além de implantar tais práticas, ministrar cursos e treinamentos ao staff diretamente envolvido no assunto em questão.

Em
épocas de rentabilidades cada vez mais enxutas (algum dia foi diferente?), as práticas de excelência no gerenciamento dos estoques podem ser um importante aliado na busca de vantagem competitiva e melhores indicadores financeiros. Cumpre assim à alta direção das empresas varejistas priorizarem o assunto, garantindo, dessa forma, a satisfação dos clientes e o incremento da geração de caixa que proporcionará o crescimento sustentado do negócio. Aos gestores fica a tarefa de utilizar as ferramentas disponíveis para buscar o nível de estoque excelente. Mãos à obra !


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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Qual o nível ideal de financiamento que as empresas devem seguir?

De forma simplória, é possível afirmar que as fontes de financiamento se restringem ao capital próprio e de terceiros. A conjugação dessas duas variáveis determina a estrutura de capital.

A primeira questão que naturalmente surge nos estudos sobre as fontes de financiamento é a seguinte, há alguma estrutura de capital que maximiza o valor da empresa? A proposição I, de Modigliani e Miller, afirma que nenhuma combinação é melhor do que a outra e que o valor de mercado da empresa é independente da sua estrutura de capital. O embasamento da proposição I de MM consiste no fato de que a alavancagem aumenta a taxa de retorno esperada dos investimentos dos acionistas, porém aumenta o risco das ações da empresa. O aumento do risco é compensado pelo aumento do retorno esperado.

No que diz respeito ao custo médio ponderado de capital, MM afirmaram que quando a empresa altera o conjunto dos seus títulos de dívida e capital próprio, o risco e o retorno esperados desses títulos também se alteram, mas o custo total do capital da empresa não.

A evolução do pensamento de MM deu-se a partir do reconhecimento de que as despesas financeiras provenientes do capital de terceiros podem ocasionar uma economia fiscal, tendo em vista a dedutibilidade da despesa. Por outro lado, surgem as tensões financeiras geradas pelo excesso de endividamento. A teoria do equilíbrio estuda a relação das variáveis de endividamento e economia tributária na busca da maximização do valor da empresa.

 Segundo a teoria, a empresa deveria aumentar o endividamento até que o valor presente dos benefícios fiscais fosse compensado pelo aumento do valor presente dos custos das dificuldades financeiras. Assim sendo, o valor da empresa é composto pelo valor do capital próprio (+) benefício fiscal ( - ) valor das dificuldades financeiras.

O questionamento a partir da teoria do equilíbrio passa ser, qual a proporção de endividamento que maximiza o valor da organização? A resposta é, depende. Para empresas com elevados índices de lucratividade e ativos tangíveis seguros, o alto grau de endividamento é vantajoso. Em oposição, as empresas não lucrativas e com ativos intangíveis com risco deveriam depender basicamente do financiamento por capital próprio.

A teoria de hierarquia das fontes (Packing Order Theory) apregoa que as empresas priorizam o autofinanciamento, assim como preferem o endividamento ao capital próprio, quando é necessário recorrer ao financiamento externo. A hierarquia das fontes obedece então a seguinte ordem: autofinanciamento gerado pela retenção dos lucros, emissão de títulos de dívida e, por fim, emissão de ações.

Ainda de acordo com a teoria do Pecking Order, os gestores conhecem mais sobre as oportunidades, riscos e valores da empresa do que os agentes externos (assimetria). Os gestores privilegiam o financiamento próprio, por meio de políticas de retenção de lucros e dividendos. Caso seja necessário captar de recursos externos, os gestores optam primeiro pela emissão de títulos da dívida, por títulos híbridos e, por fim, pela emissão de novas ações (a decisão de emissão de novas ações comumente é vista com uma má notícia pelos investidores).

Segundo a teoria do Pecking Order, não há um nível de endividamento ideal. De qualquer forma, seguindo o raciocínio lógico, as empresas com alta lucratividade naturalmente terão um menor nível de endividamento em relação àquelas menos lucrativas.

As empresas podem usar cinco diferentes abordagens para determinar a composição de capital próprio e de terceiros: (1) Montante Lucro operacional para determinar o máximo que se pode captar de empréstimo, (2) Redução do custo do capital, (3) retorno diferencial, (4) valor presente ajustado dos benefícios fiscais e custos de falência e, (5) comparação da proporção da dívida e capital próprio com empresas similares.

As empresas que optam por alterar a sua estrutura de capital poderão fazê-lo rapidamente, caso haja pressões externas relevantes. Caso tais pressões não existam, a mudança pode ser feita de forma gradual . As mudanças na estrutura de capital correm de quatro maneiras: recapitalização dos investimentos existentes (utilizar a nova dívida para reduzir o capital próprio), venda dos ativos atuais e uso do recurso obtido para redução do endividamento, investimento em novos projetos usando de forma desproporcional recursos próprios e de terceiros e, finalmente, aumento ou diminuição da porção dos lucros que são distribuídos aos acionistas.